Quando você se torna grato – parte I

Pensamos que  felicidade é nunca ter um instante de tristeza. Vivemos a vida correndo atrás dela. Vivemos a vida atrás de empregos nos quais sejamos felizes e ricos. Atrás de relacionamentos que sejam perfeitos. Atrás de corpos, de carros, de coisas. E achamos que isso é felicidade.

Poucos de nós aprendem que felicidade é algo pessoal, uma concepção, um modo de ver, sentir e viver, diferente para cada um de nós. Poucos de nós aprendem a desenvolver a felicidade própria. Compatível ou não com a sociedade.

Costumamos dizer que a felicidade mora nas pequenas coisas. Mas quantos de nós acreditam realmente nisso? A gratidão sim, mora nas pequenas coisas.

Quando você se torna grato seu sofrimento diminui. A gratidão é algo tão ínfimo frente a nossa existência mas também é imensa. Ela é capaz de preencher tudo em nossas vidas.
Existe um ditado que diz:

‘Não são as pessoas felizes que são gratas, são as pessoas gratas que são felizes’.


Gratidão não é ajoelhar-se e rezar ao seu Deus. Gratidão é desenvolver uma consciência sobre a vida, reconhecimento do que você dá e recebe. Sua vida não vai ser 100% boa em 100% do tempo. Mas seja grato a cada 1% que você vive. Seja grato a cada experiência, boa ou ruim, cada conquista, cada aprendizado (vindo de um erro ou não). Just be grateful.

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Você pode mudar ‘de’ sonhos.

Eu quero falar sobre sonhos.

Passam a vida toda nos dizendo para correr atrás dos nossos sonhos. Desistir não é uma opção.
Os mais realistas nos ensinam a colocar metas, estipular prazos, planejar o que precisa ser feito. Outros nos dizem ‘se você desejar com toda a sua força, vai acontecer’, ‘mentalize todos os dias o seu sonho se realizando’.
Ambos concordam: seu sonho só depende de você, ninguém mais pode sonhar e viver pelo seus sonhos.

Mas não vivemos sozinhos, não estamos em uma ilha. Seus sonhos podem impactar muitas pessoas ao seu redor. Isso não quer dizer que você deve desistir deles apenas para fazer outra pessoa feliz.
Dá pra ser mãe sem ter pai.
Dá pra ser família sem ser hetero.
Dá pra ter sucesso profissional e ter filhos.
Dá pra morar fora e não se desligar pra sempre da família.
Dá sim, ninguém disse que seria fácil, mas dá.

Tem coisas que não dá.
Não dá pra casar sozinho, ir até o altar usando o vestido de noiva que você sempre desejou. Dançar a valsa em uma festa para poucos amigos, mas com a decoração que você escolheu desde criança. Você precisa de outra pessoa. Ela não precisa sonhar o mesmo sonho. Mas tem que querer te ajudar a realizar o seu.

Quando eu tinha 19, minha irmã usou um vestido de noiva na sua festa de 15 anos. Eu nunca faria isso. Sempre achei que provar um vestido de noiva era como um ritual que deveria ser feito quando você tivesse a data marcada. Aliás, sempre achei que eu me casaria com um vestido princesa com decote coração, que a decoração seria com tons pastéis, que haveria um padre, beijo, brinde, bolo, valsa, banda. Que moraríamos em um casa branca, com garagem grande, gramado verde, cachorro. Que eu ia cozinhar muito bem, que teria vinhos na banheira.

Esse sonho era perfeitamente possível de ser realizado. Acontece que eu mudei de sonho. Não desisti, apenas percebi, na metade do caminho, que talvez você não precise se prender aos sonhos pra ser feliz 😉

Ps.: hoje eu não usaria um vestido com decote coração. E minha casa não seria branca.

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Entre mortos e feridos, um ano bom.

Sim. Este é um post chato com uma retrospectiva bem pessoal sobre 2015.

Estou com muito medo de 2016. Queria que meu ano tivesse parado em setembro de 2015 e ficado lá. Imóvel, intacto, perfeito. Esse medo só existe pq eu fico aqui, imaginando que nenhum outro ano vai ser tão bom quanto foi 2015.

Fiz uma lista de coisas boas e ruins que aconteceram nesse ano. E resolvi focar apenas nas boas. Depois que você aprende como fazer isso tudo fica bem mais simples, vai por mim.

Foi um ano de trabalho. Foi incrível. Trabalhei com pessoas extraordinárias (péssimas também, mas não vamos falar sobre elas). Pessoas que me surpreenderam positivamente. Me senti realizada, completa, feliz.

Foi um ano de conhecer muitas pessoas. Algumas (poucas) se tornaram amigas, outras apenas colegas. Outras me decepcionaram muito, mas pra quê ficar batendo nessa tecla? 

Foi o ano de uma conquista muito importante. Tive que arriscar e tomar um decisão sozinha para ter essa conquista. Ainda há muito o que fazer, mas estou satisfeita.

Foi um ano de amor. E ponto. Não precisa de explicações.

Estou tentando não depositar muitas expectativas em 2016. Não criar comparações. Não será igual o que os últimos 351 dias foram. Mas vou fazer com que sejam 365 dias bons.

Feliz 2016. 

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Mulher também gosta de sexo casual

Olha, vou contar uma coisa pra vocês, dessas que ninguém pode sair falando por aí: MULHER TAMBÉM GOSTA DE SEXO.
É, meus caros, homens, mulheres protetoras da moral e bons costumes, sociedade. Mulher também tem vontade de só transar, sexo casual sabe? Pegar um cara muito gostoso, levar pra cama e contar vantagem pras amigas na mesa do bar. Isso não é privilégio só dos homens não!
E pior, mulher também mente! Éééééé, tá achando que ela te achou mesmo com cara do homem da vida dela? Hahahaha.
Ela disse que você tinha sorriso e olhos lindos? E que você era bem dotado e bom de cama? Que ela nunca tinha feito aquilo antes mas que confiava em você? Bobinho!
Ela te mandou mensagem semanas depois dizendo que tava com saudade? Sim, mulher também tem aquele tipo de saudade que homem tem, sabe como é, aquele tipo de saudade mais conhecida como carência sexual.
Meu caro, Papai Noel não existe 😉

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Ela quer o fim dos anúncios no Spotify

Quanto tempo durava 3 minutos de intervalo comercial na sua rádio favorita? Quanto tempo dura agora, 1 minuto de comercial no Spotify?

A tecnologia alterou nossa percepção de tempo. Nos tornamos mais imediatistas e ansiosos. Toda essa tecnologia nos economizaria tempo para enfim podermos sair com os amigos, cuidar dos filhos, ver um bom filme: compre online com apenas 2 cliques, app de rotas mais rápidas para o seu trabalho, sem trânsito, mensagens rápidas, 140 caracteres, vídeos de 12 segundos. Mesmo assim estamos sem tempo pra nada. Sem tempo e esperando respostas. Retorno imediato de e-mails, respostas no whatsapp segundos depois que a mensagem foi lida.

Have a break.

Fugir disso tudo exige um enorme dose de auto-controle. Persistência. Paciência. Quando começamos a sofrer é que nos damos conta de quanto a pausa é necessária. Inspirar e expirar sem pressa.
Dar o tempo ao tempo e, mais importante, dar tempo aos outros.

 

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Descomplique

Avril Lavigne já se perguntava: por que tudo é tão complicado?

Domingo, ‘page down’ infinito no Facebook, eis que me deparo com um post sobre vinho. Sobre o ano, como degustar, os aromas. Essa po**a toda que não faz a mínima diferença. Seu nariz é capaz de sentir mais de 1 trilhão de aromas diferentes, mas pode ter certeza de que você não vai ser imbecil se não sentir o aroma de carvalho naquele vinho. E tudo bem se você preferir vinho tinto com peixe, você não está cometendo nenhum tipo de assassinato, muito pelo contrário, está descomplicando, está sendo livre.

Está tudo uma maravilha se você prefere skol litrão e não entende porque Jolly Pumpkin custa 40 pilas.
Está tudo ótimo, inclusive, se você não der a mínima para essas convenções. Se você não souber cortar o charuto, ou como tomar um bom whisky, como jogar poker (e preferir pife). Essas convenções foram inventadas, isso INVENTADINHAS. Então se você gosta de vinho rose, sentado no gramado, comendo pipoca e dando risada com quem você, é assim que tem que ser. Descomplique. O melhor sabor é aquele que você gosta.

Ah, eu me arrependo.

Eu me arrependo. Carrego você comigo como um peso em um saquinho de estopa. Carrego sua voz na minha consciência. E penso em você com dor, falhas e arrependimento. E logo sinto o gosto amargo de nós dois.
Eu gostava de você intacto na minha memória. Gostava de você em um cúpula de vidro guardada na cristaleira velha e esquecida lá de casa. Gostava de você, mesmo que fosse um você que inventei.

Me arrependendo de ter te tocado em minha memória. De ter lembrado onde eu te guardava. De ter visto o seu real. E não ser aquilo que eu lembrava.

E agora, é como se você fosse uma bala enorme de canhão que acertou um forte velho que ninguém vai reconstruir. Você é um trem, percorrendo um trilho que não dá em lugar nenhum. Você é o meu fracasso ‘pessoal e particular’. E eu me arrependo de você.

‘que eu percorresse o mundo enquanto ela falava’

Ela poderia falar por horas. E eu talvez ouvisse algumas palavras, mas o que realmente me prendia nela eram todas as expressões que podia fazer apenas com os olhos. Ela falava de bondade, amor, deuses, filosofia, política e futebol. Bem, na verdade estou inventando isso. Ela odiava falar sobre política e futebol.
Preferia sempre sentar dos lado mais escuro da mesa. Sabia que eu me esforçaria para ver cada riso frouxo. Sabia que eu me aproximaria. Que cada vez que eu levantasse para cumprimentar alguém, na verdade, estaria empurrando a cadeira para mais perto dela. Sempre fiz isso. Quando me visitava, em meu escritório, prometia mostrar-lhe um novo exemplar de uma revista local, apenas para contornar a mesma e acabar sentando ao seu lado.
Nunca cheguei a apreciar seus seios, suas pernas ou seus lábios da mesma forma que gostava de perder minutos apreciando seu olhar. E também a nuca, suave, com alguns fios de cabelo que enrolavam em meus dedos. E seus dedos. Seus dedos longos e magros, a finalização perfeita daquelas mãos brincalhonas.
No pulso direito ela tinha cicatrizes. Pequenas. Ninguém nota as cicatrizes e ela sabe disso. Mas eu sabia que elas existiam e por isso destinava alguns minutos para procurá-las. No pulso esquerdo, um tatuagem, algo escrito em latim.
Ela poderia falar por horas. Perderia todas essas horas percorrendo as costas da mão dela com a ponta dos meus dedos. E os ombros. A nuca. Os lábios. Era esse o ritual que ela procurava: que eu percorresse o mundo enquanto ela falava.

Escolhi ficar.

Eu não escolhi amar você. Da mesma forma que não escolhi nascer em Outubro. Aconteceu. E eu me dei conta que te amava numa madrugada qualquer enquanto você dormia e eu acariciava teu cabelo e sentia aquele seu cheiro de banho tomado. Eu não escolhi amar você mas eu não fugi quando me dei conta disso. Mas eu escolhi te amar da forma mais errada que eu pude. Te amei abdicando pequenos desejos ‘bobos’ que hoje me fazem falta: um bombom de surpresa no final do dia, um rabisco sincero admitindo que sua letra não é das melhores mas que você sentiu vontade de escrever o quanto era bom me ver sorrir ao ler isso, uma foto nossa que você escolheu e guardou na sua carteira. Um jantar que você planejou sozinho, num lugar baratinho, com um vinho ruim. Eu abri mão desses meus pequenos desejos porque ‘você não tinha tempo nem pra você’, ‘você não é bom em demonstrar’, ‘você já tem muita coisa na cabeça’.  Eu escrevi mil cartas pra mim. Assinei todas elas com seu nome. Assim, me perdoei por alguns segundos.

Eu não escolhi amar você. Mas eu escolhi ficar presa nesse calabouço de mentiras. Eu escolhi ficar.

Este é um post pessoal

Este é um post pessoal. Diferente da maioria das outras coisas que eu escrevo.

A primeira vez que um médico disse que eu tinha depressão e me encaminhou para um psiquiatra eu tinha 17 anos. Antes disso eu admito, acreditava que depressão era apenas um estado emocional no qual algumas pessoas se encontravam por não serem fortes os suficientes contras as tristezas banais diárias. E também tinha um certo preconceito contra ‘este tipo de pessoa’. E obviamente custei aceitar que eu era uma dessas pessoas.
Passei por diferentes psiquiatras, afinal de contas ‘todos estavam errados’ e ‘isso iria passar’. Mas não passou. Aos 17 anos tomei pela primeira vez antidepressivo e regulador de humor. Um dia eu achei que estava bem. E interrompi o uso dos remédios.  Eu realmente estava bem, olhava para algumas coisas daquele passado recente e pensava ‘ufa, foi só um período ruim’.

Aos 22, tive problemas com o sono. Ansiedade. E uma ‘preguiça’ de viver. Novamente precisei dos remédios. Meu pai dizia que eram apenas muletas temporárias pra me ajudar. E mais uma vez foram temporárias. Toda vez que eu me sentia bem o suficiente, suspendia qualquer tipo de tratamento medicamentoso.

No final dos 24 anos, quase 25, tive novamente o que o médico chamou de ‘quadro depressivo’. Era a terceira vez, eu estava dentro das estatísticas das pessoas que não continuavam o tratamento da forma que deveriam. Dessa vez além do Rivotril, minha ‘dieta da felicidade’ tinha também o Cloridrato de Paroxetina. Eu insistia em dizer que estava apenas um pouco cansada e insatisfeita com o trabalho e escutei a opinião de outros médicos. Um deles inclusive me receitou mais um remédio, como ele mesmo disse ‘apenas’ um regulador de humor.

Nove meses se passaram e não posso dizer que estou melhor. Nem pior. Apenas aprendi a conviver com a depressão da mesma forma que as pessoas aprendem a conviver com a diabetes. Acontece que todo esse tempo meu corpo recebeu um turbilhão de ‘alimentos químicos’ e hoje ele não pode simplesmente ficar sem.

Hoje eu não tenho medo de falar sobre a depressão. Eu não tenho mais medo do preconceito, nem medo das pessoas me chamando de louca, de mimada ou outras dessas ideias ridículas que as pessoas tem sobre as doenças mentais. Eu inclusive acho que, com passos de formiga, posso ajudar outras pessoas a entenderem que esse preconceito é totalmente sem fundamentos.

Acredito também em uma batalha para que os médicos, até mesmo os psiquiatras, receitem menos Rivotril e mais terapias alternativas. Onde a doença seja menos comercial e mais humana.

Depressão, toc, bipolaridade, são doenças.
Doenças. Assim como o câncer e a gripe. Ninguém acorda numa quarta-feira qualquer e decide ter depressão, um episódio maníaco ou uma atitude compulsiva destrutiva.
Acreditem, ninguém quer se tornar um viciado em paroxetina, nem gastar seu dinheiro comprando remédios. Assim como ninguém começa a fumar maconha para se tornar um viciado. E ninguém pede para usar morfina todos os dias.

Não estou dizendo ‘parem agora de tomar seus remédios, ele não são necessários’. Mas defendo a ideia de que os remédios são muletas temporárias, você vai precisar deles, por um tempo. Um tempo que só um médico pode dizer.

Dizem que a paroxetina não vicia. Escrevem isso na bula do remédio. É mentira.
Vivemos sim na geração Prozac, Pondera, Rivotril. Geração de pessoas que já passou por uma crise de abstinência medicamentosa. E acreditem, dói.
Explosão de choro, ansiedade, insonia, vertigens, cabeça vazia, náuseas,dores musculares. E pior, aquela sensação de não poder fazer nada, de ir ao médico e escutar ‘você irá retomar o seu tratamento’.

Não é disso que o mundo precisa. Não é de mais pessoas retomando o seu tratamento. É de pessoas mais conscientes da sua saúde mental, dos seus tratamentos, das suas condições. Não seremos pacientes que continuam dando dinheiro para essa grande máfica de laboratórios, seremos pacientes que entendem que a depressão é uma doença que tem cura.

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